Antecessores

Aos novos desafiantes se apresentam geralmente os velhos desafios. Quase todos se deparam com grandes problemáticas, dramas, questionamentos intelectuais, morais, emocionais e, creio que talvez se demorar em uma espécie de meditação nesta mutação de busca por um ponto de equilíbrio seja um grande desafio, entretanto, é provavelmente um daqueles passos gigantes que damos nas caminhas fundamentais.

Erro frases, erro palavras, perco-me do que torna meu texto nexual, sim, às vezes me perco e às vezes perco além da minha própria pessoa. Olho de fora como se fosse mesmo impossível me reconhecer por dentro. Há algo de errado? Não, não existe algo definido e por silogismos não me defino também. Acertei quando tive convicção dos meus equívocos e me peguei falhando quando estava presunçoso sobre o que não podia ser diferente do que eu imaginava. Sempre pode. Quantos antecessores quebraram a cara antes? Quantos tantos almejaram escrever livros e falharam? Quantos tantos almejaram escrever e sucederam? O resultado final importa?

É pelo que sintetiza a paixão e exulta o amor. É a coragem de viver e dar um novo passo, fazer algo realmente único e especial. Se nunca consegui, só nunca consegui até hoje e tenho uma vida como oportunidade.

Os outros realmente influenciam na extensão do meu sentimento?

Não deve ser assim. Temos pessoas que nos empurram e que nos puxam, mas dependendo da sua perspectiva, você pode enxergá-las de maneira invertida. Entregaria tudo por algo? Desistiria de tudo por um sonho? Morreria, antes da hora, acaso precisasse para que os seus ideais alcançassem após a morte algo que nunca alcançariam em vida? Quantos fizeram o mais difícil? Quantos hesitaram e falharam? Quantos hesitaram e venceram a hesitação? Como agiram aqueles tantos que estiveram por aqui antes? Quem é capaz de enxergar suas tantas nuances? Quem um dia vai ser capaz de determinar o seu alcance? Vá e vá longe.

A tremedeira nas mãos e nas pernas não é um sinal de desistência.

Quando me pego trêmulo pela ansiedade dos novos desafios, eu geralmente sorrio. É o que me coloca de volta em mim. Quando o meu coração se acelera e eu fico ofegante, eu sussurro para mim, para que essas batidas, esse tumdum tumdum apenas continue, para que eu possa continuar vivo. Quero viver e ter a consciência de que não tenho apenas sobrevivido. Quero ver o que sonho nas noites pelos dias estar cumprido. E realizar minhas coisas e viver minhas histórias, pois os contos nascem dos nossos corações estrelas. A última ambição do sonhador é uma recompensa que nunca poderá obtê-la?

Ainda assim, eu sonho do meu quarto. Destes meus tantos devaneios que cruzam essas incontáveis madrugadas nunca estou farto. Imagino-me, refaço-me, torno-me mais forte para conquistar meus objetivos. Talvez o mundo todo ainda se demore em olhar para o meu sorriso.

Na contracapa de um livro, numa revista conceitual ou até mesmo na televisão. Se aquele tumdum tumdum continuar, quem sabe onde vou parar, quem sabe o que vai ser do meu coração? Só que ele é forte e pressinto que vou sobreviver. Olho e creio que vejo, pergunto-me, quantos tantos aguentaram antes de você?

Tumdum-tumdum-tumdum. O mundo aguarda minha próxima investida.

Tumdum-tumdum-tumdum. Ainda tarda para a minha despedida.

Tumdum-tumdum-tumdum. Coragem. Abandone tudo o que te prende. É tempo de se arriscar.

Tumdum-tumdum-tumdum.

É a tradução do coração.

Você ainda pode continuar.

Siga em frente até o dia em que falhar.