Eu queria fazer um apelo, mas o problema dos apelos é que eles são todos direcionados e ando sem direção ultimamente. O Seu Raimundo ontem me lembrou que se perder é o único jeito de realmente se achar e nessa amálgama de confusões, perco-me e despenco para dentro. Ainda não achei nada no porão de mim. Será que deveria ficar preocupado?
Queria que o meu próximo não, a minha próxima recusa fosse firme. Tenho sido de muitos sins aos outros e recebido raríssimos sins de volta. Eu queria fazer um apelo, um apelo de receber pelo menos alguns sins em troca. É engraçado que o plural da afirmação remeta ao pecado em outra língua, assim, vejo-me obrigado a ser enfático: quero sua anuência e não o seu pecado, porém como vai chegando o meu aniversário, entrega-me o que quiser.
Eu queria fazer um apelo, mas o problema é que todos são direcionados. Queria poder apelar para Deus e dizer que queria uma vidinha simples de escritor, preso em um loft, fadado ao tédio da minha própria companhia. É claro que de vez em quando acordo metade dragão e carbonizo todas as ervas daninhas, porém o dano colateral reflete a morte das flores e isso me lembra que eu também queria fazer um apelo para quem pensa que não vai sobreviver a essas tantas dores. Somos todos talhados para a sobrevivência. O sofrimento tirou o meu ar e a minha paciência, porém ainda estou aqui. Eu me remendei e voltei a sorrir.
Eu queria fazer um apelo, mas o problema dos apelos é que eles são todos direcionados e ultimamente ando sem direção. Que se danem os apelos. O jeito é confiar no meu coração.
Como ´é difícil confiar no coração, quando toda sua criação como ser humano o fez confiar e acreditar no cérebro… A razão grita tão alto que a voz do coração é inaudível… Conseguir escutar essa voz é um exercício diário.
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