Na gaveta guardados antigos
Ao lado do teclado fones de ouvidos
O que se escuta no som do computador
É qualquer hippie hop antigo e baladas sobre amor
O quarto está gelado para espantar os insetos
Tudo parece meio inventado, ainda que seja certo
Copo de água vazio, Alberto Caeiro, Paulo Leminski,
O Daniel de sempre fitando novos abismos
Avançando com questionamentos mutáveis
Perdendo-se por lapsos de consciência e memória
Túnel atemporal e sonho lúcido durante o dia
O meu irmão gargalha da dificuldade da gaivota
que teimosa resolveu voar contra o vento
Eu acredito em todos os tipos de lorota
Até em quem quer transar depois do casamento
O microfone me lembra o Sílvio Santos
A imitação mais antiga do apresentador no motel
Numa realidade alternativa estou aos prantos
Nesta madrugada sorrio e cumpro meu papel
A tesourinha de aparar o bigode custou R$ 28,00
Os vídeos no YouTube e o sotaque de Minas Gerais
Um pôster antigo do Coringa nunca pregado
Um pernilongo maldito quer ser assassinado
Armários extremamente novos e mouse colorido
Arranjo de flores roxas feitas de plástico
Estou me sentindo patético e fantástico
Estou me sentindo poético e descartável
Jogos e apostas, vitórias e fracassos
Existo no meu próprio Tempo-Espaço
Garrafa de água azul, cadeira de praia,
Toalha verde, pendrive, relógio preto,
Durmo de luzes acesas e este é meu segredo
Na gaveta guardados antigos
Algum dia tudo ainda pode ser possível
Desapareço por agora enquanto
ainda somos bons amigos.