4h30

Entre os vivos
Eu era o mais morto
Entre os direitos
Eu era o mais torto
Póstumo será o próximo relato
A ficção soa distante,
embora também seja fato
E eu me vejo em lugares distantes
Defronte aos opulentos pórticos
Mera partícula do Universo infinito
E tão real quanto meu sonho
Entre os mortos
Eu era o mais vivo
Entre os decididos
Eu era o mais indeciso
Mas caminhava com a segurança
sutil de quem aprendeu a aprender
Conhecer o mundo e suas pessoas
virou partina da rotina e meu lazer
Talvez cantem canções sobre minh’alma
Talvez os trovões todos
se transmutem em calma
Quando eu passar
Talvez flores desabrochadas voltem
e precisem nascer de novo
Talvez nesta era de trevas
Eu apresente meu jogo
E sem coroas, eu reine
Lado a lado com milhares
de vivos realmente vivos
Para que um dia eu avance
para o lado dos mortos
que realmente não voltarão
Esta meia vida perturbadora
É cheia de nós dos quais a gente se esquece
E numa súplica constrangedora
a gente fecha os olhos e agradece
Mesmo sem saber direito o que é digno de gratidão
E lança outra prece para que a luz diurna
espante os males da escuridão
O Eu Real enfrenta
O Eu ideal
Eu me encontro
Sorrio e choro ou
choro e aí sorrio
Arrepio
Morro se for preciso
mas me vivo
Morro se for preciso
mas canto
Morro se for preciso
mas luto
Escrevo o que sou
Escrevo o que são
E para onde vou
Escrevo com a tinta do coração
E molho a pena ou renovo a tinta
da caneta com o meu próprio sangue
Dedico-me, até ser dominado pela preguiça
Continuo e meus pelos se eriçam
O mais vivo entre os mortos
O mais morto entre os vivos
O meio termo que nunca se equilibra
A faca de um gume só que corta e fere
O sangue derramado e a sombra de perigo
A luz solar e o calor para oferecer ao mundo abrigo
A insensatez do amor verdadeiro
Partícula real, porém desconhecida
Uma canção não inventada
que vale a pena ser cantada
Mesmo nas despedidas
Vou e fico ou
fico mesmo quando vou
A sombra do que sintetizo
Qualquer coisa sutil
como amor
Escrevo e talvez leiam
sobre o mais vivo entre os mortos
E sobre o mais mortos entre os vivos
Escrevo porque as palavras representam o que sou
Escrevo porque é tudo o que eu preciso
Talvez cantem canções sobre…

Publicado por

drpoesia

Escritor de hábitos relativamente saudáveis que gosta de escrever crônicas, poemas, contos e principalmente romances de ficção fantástica. Três livros prontos, porém, ainda sem publicação física. Trimestralmente faço o registro dos meus novos textos no Escritório dos Direitos Autorais. Tenho 27 anos de idade e sou formado em Direito. Creio no amor, embora o sinta meio ingrato neste ano. Só posso ser quem eu sou e é assim que vou continuar. Confio no mestre Leminski. "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além". Se você continuou até aqui espero que conheça meu blog aqui na WordPress e que possa dar uma visitadinha nas minhas páginas de poesias no Instagram e no Facebook! Obrigado! Volte sempre!

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