Desejo

Desejo o que desejo sem sentir vergonha de desejar
Anseio pela satisfação da alma que talvez nunca se satisfaça
Busco o que busco pelo prazer de buscar e me entrego
A vitória, a derrota, não, nada disso interessa
Os meus versos e a minha vida, entretanto, são fundamentais
Ando pela praia e observo o mar com os ouvidos e com os olhos
Contemplo a imensidão de água salgada
As gaivotas andam como patos, mas voam como gaivotas
Uma delas insiste em comer um pedaço de plástico
É como desferir murros em pontas de facas
Eu sei que ela vai se machucar
Ela talvez não saiba
Quem soca algo afiado também se fere
A gaivota solta o plástico e sinto um súbito alívio
Um dia ela morrerá e outro dia eu morrerei
A consciência da situação é perfeita, porém sinto
como se o fardo do plástico não nos pertencesse
Na volta da praia decido usar outro caminho
Convicto enveredo por uma rua que nunca vi
E que nunca mais irei ver
Veja, mas preste bem atenção neste detalhe

Outra rua em outro bairro em outra cidade em outro estado
Alguns dirão que é o mesmo país e o mesmo mundo,
mas quem é que pode garantir uma impressão tão real assim?
O mesmo Eu andando por aí em lugares desconhecidos
O mesmo Eu apreciando tudo como se fosse a primeira vez
Há uma casa roxa da qual me esquecerei
E há um gato bicolor que desce pela janela da casa ao lado
Uma explosão de sentimentos me ocorre por dentro
Por fora apenas respiro e continuo a caminhada 
Mesmo dias depois quando parei

Eu pude sentir que havia continuado andando
Este Caos de que sou feito nunca cessa
Exponho a verdade de meu coração sem qualquer pressa
Cansado das impressões que tenho sobre o que me é alheio
Revolvo para dentro como uma tartaruga que entra no casco
Sinto uma espécie de febre e outra vez estou alheio
Há um abismo entre o que tenho e o que quero
E para ter o que quero tenho que abrir mão de coisas que tenho
Faço o que for preciso e insisto em crer que vou ficar bem
Desejo o que desejo sem sentir vergonha de desejar
Anseio pela satisfação da alma que talvez nunca se satisfaça
Os meus acertos e equívocos significam tudo para a impressão que tenho
da Canção de Mim Mesmo que nunca para de tocar
Tempestades agitam minhas entranhas
Desconfortos cósmicos me afastam do sono
Monstros inexistentes me provocam pesadelos sombrios
Sofro tudo quando deveria reagir com desdém
Busco o que busco e sei que vou ficar bem.

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drpoesia

Escritor de hábitos relativamente saudáveis que gosta de escrever crônicas, poemas, contos e principalmente romances de ficção fantástica. Três livros prontos, porém, ainda sem publicação física. Trimestralmente faço o registro dos meus novos textos no Escritório dos Direitos Autorais. Tenho 27 anos de idade e sou formado em Direito. Creio no amor, embora o sinta meio ingrato neste ano. Só posso ser quem eu sou e é assim que vou continuar. Confio no mestre Leminski. "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além". Se você continuou até aqui espero que conheça meu blog aqui na WordPress e que possa dar uma visitadinha nas minhas páginas de poesias no Instagram e no Facebook! Obrigado! Volte sempre!

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