round about

It was round about twilight
I saw your beautiful eyes for the first time
and when the darkness ate the day
You became my light
You shone over the world
so intense and bright

I swear
You are always beautiful
like a violent storm in the summer
And a man like me so scared
found the courage to hold the thunder
Just for a little while

This is also what I said
When you told me it was late
and we should probably go
It’s not time to chase

Tomorrow can wait
The night is long and we shouldn’t waste it
I froze looking at your beautiful face
I’ve smiled and replied :
to my house or your house tho?

So you smile to me
Life worth it

Even my stupid dreams
someday they’ll work
We walk on the streets
We dance and we kiss
Simple match of chess
Just like two honeybees
A lock and a key
The clock lost himself into our mess

It’s okay to feel this pointed
thing in my chest?

I want the dawn of the city
Side by side with you
This
sounds like eternity
What the hell should I do?

I wrote our names on a sacred stone
You say it was too soon
But my heart was a big bomb
just before the great BOOM

It was round about midnight
I was dizzy and felt not so clever
When I whispered to myself:

“This may last forever”

Tonight I won’t feel sorrow
I’ll destroy everything

that could block
My way to you

I can’t wait till tomorrow
That’s the story
About how I fell in love with a red fox
The mistery of how my grey world
turned so damn blue.

Coração nômade

Faço tudo o que posso, mas
Insisto que não me chame de lar
Um dia ainda acordo e de repente
Abandono este lugar
Meu coração nômade
Sabe realmente amar,
mas ele não pode ser casa
Ainda que haja brasa
para os dias frios
Ainda que preencha
habilmente espaços vazios
Ainda que te defenda
de tantos inimigos
Ainda que surpreenda
com desejos correspondidos
Este coração nunca será
um lar para você
Se alimenta esse ideal
É melhor tentar me esquecer
Sou o melhor de todos e
o pior deles também
Estou te avisando sobre os riscos
Te quero, mas não como refém
Estaremos juntos
Permaneceremos juntos
Nunca vou desaparecer do mundo
Porém, este vagabundo arisco
tem o coração mutante
Tudo que é bom hoje
Será diferente adiante
Muito melhor ou pior
Quem é que pode dizer?
Por isso não me faça lar
Repentinamente posso mudar
Eu só queria te fazer entender.

Medusa

Chega e ordena
que eu tire minha blusa
Olhar que me condena
Medusa
Não te amo
Ainda que seja

minha musa
Não é engano
A gente se usa
Tento assimilar a informação, mas
seu jeito de falar é pura tentação
Hesito e me convenço de uma mentira
Quero me amenizar e decido ir embora
Não sou igual a todo mundo
Tento me convencer de que
homem como eu já não se fabrica
Aos pés dela, porém,

somos todos vagabundos
Vítimas dum olhar que petrifica

Nunca posso resistir
Quando a voz dela me chama
Até tentei fugir, mas

cá estou na cama
Ela vai dizer o

que quero ouvir
Fingir que me ama
Foderemos a noite inteira
Escuridão que inflama

Metáfora

     Muito bem, vou começar. Não, na verdade, nada bem aqui. Nada bem comigo. Como eu poderia falar dela e me sentir bem? Parece piada que eu tenha dito algo assim, mas vou tentar organizar as ideias na minha cabeça antes que elas pareçam mais ridículas do que em qualquer outra cabeça ou lugar. Esqueça isso também. É preciso me expor completamente e ser ridículo é só uma condição básica para o que acontecer a seguir se tornar crível, portanto, para que minhas palavras tenham a mínima credibilidade, eu vou dizê-las em voz alta diante do espelho. Prometi a metáfora, muito bem, mas não é como se eu fosse capaz de metaforizar alguém como ela. Alguém que sabe sorrir com os olhos e abrilhantar uma noite escura com apenas um vislumbre. Nela há promessas de coisas que o mundo nunca viu. Sei, sei bem o quanto isso é brega, mas o que perco que já não perdi antes? Embaralho-me em mim. Juro que meus próprios pensamentos voam em círculos contrários e se chocam e se misturam e se confundem… Eu não sei o que acontece depois. Eu sei que algumas mulheres já roubaram a minha voz quando pretendi dizer algo agradável ou suficientemente inteligente. Meus pensamentos, de repente, eram mais vagos do que uma folha de papel inteiramente em branco. O que ocorre, porém, é que com ela, as palavras nunca me fugiram. Elas bailavam na minha frente como se eu estivesse dentro de um mundo perfeito. Entende? É claro que não. Como alguém entenderia?

      Vou supor que ela nunca leia este rascunho e me certificar, ao menos, mentalmente, que ela nunca escute isso quando eu falar. Engraçado que eu a vi apenas uma vez e foi quase uma década antes, mas não era como se eu me lembrasse. Será que foi desatenção minha ou será que a vi somente em sonhos e inventei tudo isso? Quando criança vivia absorto em mim, preocupado apenas com minhas fantasias. O tempo passou, mas eu não passei. Quando mulheres assim, olhavam-me, bem, eu corava e desviava os olhos. O irônico é que me tornei hoje alguém capaz de suster o olhar de volta e coincidentemente nos reconhecemos tantos anos depois.

      Naquele dia eu já havia concluído que ela era absolutamente incrível e sua presença era calorosa e expansiva, ao que, qualquer pessoa gelada, seja por analogia ou por nascença, pode presumir e antecipar o degelo das próprias emoções. Sei que neste instante soo absolutamente imbecil, mas é impossível fazer isso e transmitir a mensagem sendo racional. Eu nunca perdi meus pensamentos na presença dela e meu coração, por incrível que pareça, torna-se cada vez mais e mais feliz conforme nos encontramos. É como se a cada novo encontro, eu pudesse captar um novo detalhe. Guardo esse romantismo infantil para os tempos em que se fizer necessário em minha velhice senil, mas, por favor, digo a mim, nunca se esqueça de nunca dizer isso a ela. Você sabe que ela merece ouvir algo que nunca disseram, mas seria como tentar acariciar um gato de rua. Os felinos são, por natureza, fugidios e ariscos. É preciso saber como manter alguém como ela por perto. Eu que sou bastante tolo e inadequado nas minhas adequações, eu me aproximo dela só quando minha mente termina de formular complexas equações. Como não afastá-la? Ainda assim não há matemática que baste, mas isso deveria me impedir de tentar? As estrelas são, por natureza, inalcançáveis, mas será que ela vai rir se eu disser que a gente precisa lutar pelo que sente? Seria vexatório tentar derrubar uma estrela com uma pedra apenas para torná-la cadente?

Desta forma garantiria meu pedido. Onde é que eu estava com a cabeça quando confessei que você era como uma metáfora aos meus sentidos?

      O carnaval te vestiu bem. Não. Você vestiu bem o carnaval. Dentre todas aquelas pessoas, você parecia ser a única especial. Certamente brilhava de um jeito diferente. Cintilava de um jeito que fazia com que meus olhos não conseguissem permanecer completamente abertos. Você era o carnaval e o carnaval só era o que era por sua causa. Isso. Isso se aproxima um pouco do que eu gostaria de falar. Você realmente estava no carnaval naquela noite de lua? Talvez eu tenha apenas imaginado, mas me recordo do que preciso. Apoteose solar no tempo-espaço do seu sorriso. Eu me senti afundar em um oceano que sequer existia. Quais mistérios será que residem em seus beijos? Quais são as chances de que sumam de mim, sem que eu os mate, esses tantos desejos? E se eu te dissesse que diante da sua presença à época, ninguém se importaria com a fuga de Helena para Troia? E se eu dissesse que heróis e vilões não notaram a mais brilhante das joias? E se eu dissesse que o mestre Oscar Wilde se engana? E se eu dissesse que ele errou quando disse que a gente sempre destrói o que mais ama? E se eu forçasse o inglês nas minhas palavras e nós brincássemos de seek and hide? E se still in english fôssemos news Bonnie & Clyde? Tudo bem, não vou exagerar, não vou falar sobre Romeu ou Julieta, mas presumo que toda lagarta que a veja voar, em seguida, deseja logo se tornar uma incrível borboleta. Seria bom poder te acompanhar no seu mundo, voar junto, ainda que só de vez em quando. Duvido que… Não sei ainda se me faço entendido. Você entenderia se eu dissesse novamente que você é como o sol? Entenderia se dissesse que você seria minha Sophie se eu fosse o mago Howl? Vou tentar, enfim, pela última vez. Eis a situação… Você percorreu atalhos até o meu coração. Sempre que eu a vejo, indago se sou eu o meu próprio algoz. Poeta que perde a rima pelo desejo; homem falante que perde a voz. Noutra noite de carnaval me cedeu brilho, pois o sol não se preocupa em se dividir. Como um trem desgovernado descarrilho toda vez que a observo sorrir. Você é mais vasta que a imensidão do céu azul. Dona de si sempre se basta: it’s all about you. Perdi a metáfora e a fala… Perdi meu rumo e tudo o que almejo. Quando a loucura sobe, a boca cala. Lamento que nunca com o gosto do seu beijo. Sei que novamente esmurro pontas de facas, mas o que posso fazer? É melhor ser ridículo e falar do que dormir sem ter dito o que pensei em dizer. L’amour est un chien du diable, mais c’est mieux être mordu! Acho que concordo com o trecho acima referido. O amor é um cão dos diabos, mas eu prefiro ser mordido. 

      Essa foi a loucura mais brega que eu já disse na minha vida.
Você me pediu a sua metáfora. Espero que não esteja arrependida.

      Novamente surto. Sussurro que amo vultos, embora saiba que são apenas sombras pálidas de coisas inexistentes. Amo, na verdade, a palidez da alma de quem não tenta ser mais do que sente. Amo ainda que meu amor seja criação de minha própria mente. É duro vagar solitário em mundo que se faz quase sempre indiferente. 

O demônio do fogo

Há um demônio do fogo 
dentro do meu ser
Desobediente
Incontrolável 
Alimentando-se de tudo o que se move  
Apenas para sobreviver
Há um demônio do fogo
queimando o meu coração 
Cada vez mais expansivo 
Ele urge para sair 
Cada vez mais invasivo 
Ele não quer mais dormir
Cada vez ele mais eu 
E eu mais ele
E ele ainda mais eu
do que eu ele

Mas nada
tão separado

nem possessivo
que possa chamá-lo meu

Nós aqui divididos 
Até o dia em que seremos uma única coisa 
Não hoje, mas talvez em breve
O resto do mundo nunca interfere na nossa relação
Tudo o que me toca e fere
Vira carvão Até minha própria pele
às vezes parece vulcão
Sou um eco solto de
Destruição
Nunca sozinho
Duplamente
em ebulição
Evite-se a
Erupção
Quebramos todas nossas leis 

Assim que fazemos
Só importa o que sei
Ainda estou aprendendo
Quem recua mata
a vontade que está nascendo

Há este demônio do fogo 
Convive comigo nas noites e nos dias
Às vezes me fustiga e outras vezes acaricia
Ele é tão capaz quanto eu
Guardião estranho e improvável 
Protege-me com suas chamas
Ainda que apareça até quando não é chamado
Este demônio é atrevido 
Extremamente ousado 
Inconsequente
Presunçoso
Por vezes perigoso
Infante
Arrogante
Distante
De quando em quando
eu e ele nos desentendemos 
Eu busco agir racionalmente 
Ele quer queimar o mundo
Trinca os dentes num esgar horrendo
Mostra sua agressividade
Ninguém ousa um passo a mais

Queimamos juntos o que cruza o nosso estreito caminho 
Ele me observa sorrindo 
completamente zombeteiro 
Sabe que eu aguento o que poucos aguentam
Diz baixinho “até quando”?
Mando ele calar a boca
Aqui sou eu que mando”
Ainda assim ele gargalha, pois 
todos fracassam nessa batalha
Contra os males do mundo
Sussurra nos meus ouvidos 
“Um dia você vai incinerar tudo com a minha ajuda
Cedo ou tarde a crueldade do mundo te muda” 
Ele às vezes soa tão tolo
Nunca sabe o que fala
Era melhor ter
abraçado o silêncio
Era melhor ter engolido
o sol no lusco-fusco
Tudo o que não tenho
Ainda busco

Ganância
Garra
Algo parece vago
Inquieto, ele me cutuca
como se apagasse um cigarro em mim
Não pôde fazer o que deveria
Diz que não coleta mais
Tudo o que recolhe
em seguida descarta
“Nada nas mãos nunca
É disso que somos feitos”

A última coisa que ele
segurou foi o brilho da lua
Ainda assim um instinto
estranhamente pacífico
Fez com que o demônio a soltasse
Talvez alguns mereçam
morrer de frio pelas traições
Na Islândia, Rússia ou no Canadá
Alguém como eu poderia
derreter o continente por lá

Contradições como espadas
Do nada ao tudo e do tudo ao nada
Tento ser empático, mas estático,
reconheço-me fático
Está além da compreensão
Como além se somos quase
a mesma coisa?

Cada vez ele mais eu 
E eu mais ele
E ele ainda mais eu
do que eu ele

Não o entendo, mas o sinto
Inequivocamente triste
Ele não me entende também, porém,
solidarizamo-nos na

ausência de palavras
que engloba a vida

inteira que existe
O demônio é forte
Bem desconfiado
observo a minha sorte
Mal entendendo
Devaneio minha morte
Meu demônio a desafia
Como se fosse mais poderoso
que o próprio Deus
É bom tê-lo por perto?
Um demônio mau
pode ter utilidade?
Há um demônio do fogo
dividindo a morada do espírito

Ele já não me dá mais arrepios
Em certo momento nos
perdemos um do outro

Ele se parece comigo
E eu me pareço com ele
A alma eloquente se agita
no corpo que emudece agora
Regente perdido inconsequente
Consome com as chamas
Acelera o correr das horas

Mais inflamável do que
qualquer coisa que viu

Instável aguardando
uma faísca no pavio

O demônio se lança em mim
Cada vez ele mais eu
E eu mais ele
E ele ainda mais meu
Eu respiro fundo
para tentar não me perder
Ele gargalha sonoramente, 
mas sinto o que ele sente
Queima com uma raiva
arroxeada e profunda
Instinto de ira indomável
Admite que todo fogo se apaga
Quem não sabe entender a mínima fagulha
não pode tocar quem é pura lava
Suspiro-me ou é ele que suspira
Há este demônio aqui e já não sei
quem é que controla a respiração
Para os outros não há comoção
Somos nós dois uma estação
Como o inverno ou como aquela que
leva embora para sempre um trem

Revestido de fogo nos fortalecemos
Quem é que pode me impedir?
Quem é que pode nos impedir?
Quem é que pode o impedir?
As lágrimas que escorreriam
evaporaram antes de tocar a pele
Não há nada em mim que gele
Sofro hoje como um mestre
O tédio me frustra
Vou queimá-lo

Faço o que quero e 
ninguém me impede
O tal demônio por vezes 

me personifica 
Por vezes agimos juntos 
Só em mim ele acredita
Ainda assim ele só
quer saber de queimar
Lançar labaredas dançantes 
para consumir tudo 
Incêndio incontrolável
Inefável
Intragável
Detestável
O demônio é sincero
Eu também
Odiamos mentiras
O demônio é direto
Eu prolixo
Ainda que às vezes eu seja direto
e ele enrolado também 
Há um demônio comigo
Ele me afasta e
me protege do perigo
Ele diz que é letal, mas
que é meu leal amigo
Como posso não confiar
em alguém tão próximo?
Não tenho escolha ou
Escolhi que fosse assim
Tudo de repente explodiu
Claridade no céu que

nunca mais se viu
De repente o meu fogo
e o do demônio

Espalham por
toda a cidade

E um sussurro quase mudo
nos revela desnudos
Há partes nossas por 
todas as casas
E há em corações alheios 
nossas brasas
E há o que eu nem imaginava
que poderia de haver
E há cinzas nossas que guardaram
E eu nunca iria saber
E a raiva cega minha 
que nunca pune
Transforma-se 
então em lume
Eu e o demônio 
não somos cruéis
Ainda que pudéssemos ser
Ainda que devêssemos ser
Só o demônio sabe o quanto
o sofrimento me arrasta na dor
E o que foi me enche de espanto
Ele tenta queimar tudo, mas não
nunca viu nada que tenha resistido
Recorda-me da frase que tanto gosto
“Seu coração é feito de coisa mais forte que vidro”

Num universo de tanta crueldade
Abraço o demônio antes de dormir
Eu me sinto tão lúgubre, mas volto a sorrir
Seguro a onda, aguento a barra, ajudo
Ninguém me nota na parte mais profunda 

Observo o mundo com sutileza
Vejo em cada cantinho
um pouquinho mais de beleza
Sou sozinho, mas me sinto fortaleza
Quem derruba estes portões?
Também ninguém sabe a senha

E lá vou eu sendo ele
Ele sendo eu
Absorvendo lindos olhos verdes
que queimarão em nós
Coloridos
Conquistar é
algo divertido

Queimamos como
fogo de fogueira
Numa diversidade de cores
No chão somos céu de estrelas
Mestres em tudo, exceto nos amores

Ouço ele acalmar a respiração
Acalmo a minha também

Eu mais ele
Ele mais eu

Algo sempre acontece quando
não estamos vendo

Continuo mudando e crescendo
Estou cada vez mais velho
O demônio faz aniversário
Nós comemoramos
Celebramos um com o outro

Já nem me lembro dos tempos
em que o demônio não estava por aqui
Ele parece vil, mas me ajuda a seguir
Fecho os olhos e aguardo
Os milagres acontecem
quando a percepção encontra o sono

Os grandes eventos sempre lembram
Épocas distantes e abandono
Dou de ombros e sigo em frente
Eu mais chama quente
O demônio mais tranquilo
Eu mais ele e ele mais eu
Um dia encontro
um pedaço de saúde
Abraço o meu
descanso na loucura
Repouso vulnerável
Jazo sem armadura
Até o dia fatídico
vou como posso

Faço o que posso
E também o que devo
O demônio matou o medo
Ele mora comigo de aluguel
Eu cada dia mais ele
Ele cada dia mais eu
Eu ainda mais ele
Ele ainda mais eu
Eu mais ele
Ele mais eu
Eu ele
Ele eu
Eu
Acho que, enfim,

Localizo-me aqui
Nos entendemos ou
eu mesmo me entendi

Nossa parte boa domina,
mas deve ser mantido este segredo
Que por aí digam que nossa sina
Não é espalhar amor e sim o medo

Que me chamem de demônio
Que tentem apagar nossas chamas
Continuaremos, entretanto,
por aqueles que nos amam
Esquento outra vez

de tanta felicidade
Talvez ainda queime esta cidade
Sou completo e me reconheço
Celebro a minha liberdade.