Por fora todo mundo vê

Trinta anos e continuo furiosamente delicado como no auge da minha juventude!

Trinta anos e ainda aceito que tudo mude!

Trinta anos e ainda morro de orgulho das minhas tantas futilidades!

Trinta anos e depois de odiar, enfim, comecei a amar essa cidade.

Trinta anos e escapo aos estereótipos, sendo simultaneamente otaku, nerd dos livros, escritor, poeta e futebolista.

Trinta anos de fracassos e conquistas.

Trinta anos e sou o mesmo garoto sentado sozinho no fundo da casa, brincando com meus tantos bonecos, conjecturando cenários nos quais meus heróis pudessem salvar a humanidade. Trinta anos e ainda acredito que a humanidade tenha salvação…

Trinta anos e não tenho escolhas, senão confiar no meu coração.

Se me perguntarem os porquês, é claro, terei a humildade de dizer que não sei nada, mas já não tolero quem age de forma irresponsável comigo. Aprendi que há situações em que o silêncio é necessário, mas que em outras ele traduz perigo. Ficar quieto não nos faz mais ou menos amigos. Calar a voz na hora errada pode envenenar a alma e a linha é extremamente visível, exceto para quem se acostuma a ultrapassar a linha.

Se leva trinta anos para se convencer de que há razão até no raciocínio dos loucos e descobrirmos quem é o maior algoz. Se leva trinta anos para saber que em trinta anos ainda sabemos muito pouco e que as pessoas são misteriosas e que cabem galáxias inteiras dentro de cada um de nós.

Trinta anos para me fazer indivíduo completo e ainda ter que suprir as lacunas de mim mesmo. Trinta anos e ainda procuro o rosto que a minha alma tinha quando o universo foi feito.

Não disfarço mais angústia com indiferença e nem distraio a minha tristeza com os tantos detalhes coloridos que a vida coloca diante dos meus olhos. Bebo um gole de café e sofro, amargo e sóbrio, triste e depois feliz. Agora já não posso me afundar por trinta horas nos videogames e esquecer o resto. Meus olhos buscam tudo, até o que eu detesto.

Não tenho medo de parecer ridículo por ser quem eu sou. Vou sustentando o trabalho que tenho, a vida que tenho, os sonhos que tenho, sem que nada disso me pareça tolo ou inalcançável. Trinta anos e meus olhos ainda brilham quando há intenção pura. Meus dedos hoje extraem beleza em uma vida dura. Cura? Não, este D.R.P poesia só brinca com as palavras. Outrora elas nem eram assim tão afiadas e aqui me pego, revolvido inteiro para dentro. O que tenho de mais belo sempre veio de dentro.

Ao que se pese, trinta anos não me parecem mais do que trinta minutos e corro até todas as partes de mim, apenas para não me esquecer. Sou duro e tinto, ferro e vinho, mas minha alma é completa e sei que não vou permanecer. Não posso me desculpar pelas coisas que não fiz, mas posso deixá-las de lado e apenas ser feliz.

Gostaria hoje de agradecer a todos que nunca me permitiram caminhar sozinho. Quero agradecer a todos que pude chamar de amigos. Enfrento os perigos, até quando tudo parece perdido. É a finitude que dá valor a essa vida e aprendi a agir e a falar para não ter que me arrepender. Vou errar e acertar, mas vou continuar e aprender. Obrigado a qualquer força invisível que até hoje me manteve vivo.

Sou muito grato por existir. Mais trinta minutos, trinta horas, trinta anos ou até o dobro, celebrarei todo tempo que me for concedido viver e comemorarei até a sequência das próximas cenas. Espero que tudo neste mundo continue valendo a pena.

Por dentro ainda sou o mesmo, mas por fora todo mundo me vê diferente. Sorrio com a certeza de que tudo é impermanente. A alegria de vestir a mim mesmo como roupa de corpo me enche de uma vontade louca de fazer barulho. Ser quem se é por dentro, fora, faz vibrar no meu peito uma espécie de orgulho.

Trinta anos que não foram e nunca serão nada.

Trinta anos que foram e serão tudo.

Trinta anos, apenas números.

Trinta anos, simbolismos.

Trinta anos, ferro e vinho.

Envelheço e grito uma frase antiga da WWE, berrada em inglês.

Amanhã tudo termina e começa outra vez.

Publicado por

drpoesia

Escritor de hábitos relativamente saudáveis que gosta de escrever crônicas, poemas, contos e principalmente romances de ficção fantástica. Três livros prontos, porém, ainda sem publicação física. Trimestralmente faço o registro dos meus novos textos no Escritório dos Direitos Autorais. Tenho 27 anos de idade e sou formado em Direito. Creio no amor, embora o sinta meio ingrato neste ano. Só posso ser quem eu sou e é assim que vou continuar. Confio no mestre Leminski. "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além". Se você continuou até aqui espero que conheça meu blog aqui na WordPress e que possa dar uma visitadinha nas minhas páginas de poesias no Instagram e no Facebook! Obrigado! Volte sempre!

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