O que andam dizendo

A vida é certamente incerta,
eu disse e ela sorriu,
Depois me respondeu
com uma frase esperta
e logo então sumiu

Diga-me o que prefere:
o peso ou a leveza?
Prefiro que a vida seja leve
Já você opta pela tristeza

Bem, você precisa assimilar e saber
A melancolia era minha única companhia
Quando ninguém parecia se importar
Quando ninguém tentava me entender
É preciso ser sério nas situações sérias
e no resto do tempo buscar o riso e o prazer

Devemos nos divertir nessa vida
mesmo que nada disso seja um jogo
Tenho certeza de que não há garantias
de que viveremos de novo

Se você pausar o relógio
A vida lá fora continua,
Não seja sempre tão óbvio,
Cante hoje uma canção para a lua

Piche no muro ou na rua
Aproveite os detalhes da jornada
Sacie os seus desejos, pois logo tudo passa
A gente vem, vive, cresce e depois vira fumaça

Há convicções certeiras que esquecemos de lembrar
A vida começa, mas uma hora tem que acabar

Lá fora as pessoas desinteressantes
falam a todo instante sobre nós dois
Somos constantes amantes do agora
Nada fica para depois

Outra noite dessas saímos no escuro
Para um passeio diferente
Demos de cara com uma inscrição no muro
“Quem é que pode ver para sempre?”
Apesar disso nossos juramentos eram puros

Fodemos em todos os lugares
como uma maneira de nos afirmar
Todos os cantos da cidade, até os bares
se tornavam nosso lar
E eu ouvia sua voz melódica sussurrar:
nós fomos feitos para durar
Uma sina, um destino, duas pessoas,
Um par

Você gargalhava da intensidade do meu sentimento,
mas se aquietava quando me ouvia:
A vida é apenas movimento

E você se calava
quando alguém de repente declarava
que um dia haveria uma separação
Aquele pensamento não se enquadrava
no seu coração
Para ser sincero, confesso,
No meu também não

Os cães velhacos e sujos de barro
Os carros quase atolados
Os gatos miando de fome

O barato se tornava caro
A verdade era caso raro
E minha única oração era teu nome

Chamava-a com uma certeza ancestral
Fique
Nem tudo que acaba tem final
Acredite

Rabisquei um verso num caderno
Você me chamou de brega
Para chegar ao céu passamos pelo inferno
A beleza que importa é cega

Rimos e nos embriagamos
até que de repente houve uma briga
Não estava nos nossos planos,
mas nos afastamos pela vida

Olhares matreiros e gestos displicentes
O amor abafado pelos costumes
A gente ainda é o que sente?
O que explica tanto ciúme?

Meses, revezes, conveses
O que fazemos se tornar engano
Você entre os franceses
Do outro lado do oceano

Astronauta assando um cogumelo
Vermelho se tornando amarelo
O que nos alcança no reino do sono

A complexidade de um homem singelo
A máscara que oculta o belo
A renúncia, as denúncias, o abandono

Tudo muda de repente
E às vezes se sente o efeito
Nenhum dano é permanente,
mas algo ruim perfurou o meu peito

Ficamos por um fio, mas
Berrei pela cidade
Há conserto se ainda
há vontade

Mostre sua feiura me dê um abraço
Receba minha ternura e distorça
o tempo-espaço
A vida anda muito dura
Que saudade do seu abraço

Espalharam por aí boatos
sobre coisas que não estão acontecendo
Segura minha mão e sairemos vencendo

É necessário encarar essas afrontas,
Foda-se o que todos andam dizendo
A gente ainda se reencontra,
mesmo se acabarmos nos perdendo.

Publicado por

drpoesia

Escritor de hábitos relativamente saudáveis que gosta de escrever crônicas, poemas, contos e principalmente romances de ficção fantástica. Três livros prontos, porém, ainda sem publicação física. Trimestralmente faço o registro dos meus novos textos no Escritório dos Direitos Autorais. Tenho 27 anos de idade e sou formado em Direito. Creio no amor, embora o sinta meio ingrato neste ano. Só posso ser quem eu sou e é assim que vou continuar. Confio no mestre Leminski. "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além". Se você continuou até aqui espero que conheça meu blog aqui na WordPress e que possa dar uma visitadinha nas minhas páginas de poesias no Instagram e no Facebook! Obrigado! Volte sempre!

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