Os amanhãs existem por um motivo.

Se tudo quero e tudo posso,
como tanto tempo depois
ainda te sinto nos ossos?
Acostumei-me a ser dois
Agora sou obrigado a andar sozinho
Se virar a página é o novo caminho,
por que os meus dedos simplesmente
não me arrastam e me lançam
para o próximo capítulo?
Sinto, vez ou outra,
Qualquer lembrança turva e pouca
dos teus suaves carinhos
Estremeço por completo,
Trêmulo e discreto só me restam energias
para erguer um copo de cerveja num bar
Em minhas memórias jazem velhas fantasias
Nas madrugadas frias recordo outros dias
Onde você ainda era capaz de amar
Mel amargo azedado pelo recipiente sujo
Tua forma vale mais que o teu conteúdo
Tornei-me nada e o vazio ecoou dolorido
Em sonhos gênios me persigo sorrindo
Aquela criança
não deveria sofrer tanto
Ergue a voz e dissimula sua esperança
nas letras dos contos que canto
Cantos que cantei e devaneios que hei de devanear
Roubaria a lua apenas para te entregar
Pobre coitado, alguém sussurra
e dos cochichos tenho medo
Desajustado de vontades duras
Quem para guardar os meus segredos?
Sou patético, mas você não se esqueceu
da maneira como eu te beijo
Doce lembrança do teu corpo no meu
Amei tanto alguém que tão rápido me esqueceu
Acendia velas para queimar o seu corpo
juntamente com o meu pela madrugada
O espanto com tua beleza era sempre
inédito quando eu a via pelada
As orações de nossas peles então se tornavam
subitamente cálidas, agressivas e ousadas
Ninguém nunca antes, instantes,
todo o futuro que vivi na imaginação
Abracei qualquer coisa insignificante diante
do que restou de mim na minha solidão
Olha, eu não sei exatamente o que dizer,
mas honestamente ainda me lembro
dos caminhos para te dar prazer
Suas mãos alcançavam o meu pescoço
Tua boca provava o meu gosto
E eu te erguia nos braços
Eu, você, outras rotações,
Lembranças de antigos verões,
O nosso próprio Tempo-Espaço,
Nossas brisas todas furacões
Puxo seus cabelos e aceito o que me oferece
Às vezes nosso amor deixa marcas na pele
E tudo se sucede como se fosse a primeira vez
Estar ao seu lado era meu maior privilégio
Ainda me lembro de como me sentia rijo e régio
Estreamos uma cama alheia embalados pelo vinho
Se virar a página é o novo caminho,
por que os meus dedos simplesmente
não me arrastam para o próximo capítulo?
Caio de joelhos
em meados de fevereiros
Os miados afogados
que ouço reverberam pela eternidade
Quando tudo se acalma choro desolado
e meu grito de agonia acorda a cidade
Revolvo-me e endureço mais
Já não sei se sou capaz
de encontrar meus velhos sentidos
Eu só queria ter uma resposta
Uma velha ou nova aposta
do que aconteceu com os anos perdidos
Estremeço e a vida soa como morte,
Para onde foi minha sorte
Parece que estou sempre sendo punido
Sofro com os novos cortes
e carrego cicatrizes inéditas comigo
Será que um dia irei me encontrar
ou viverei eternamente perdido?
Se virar a página é o novo caminho,
por que os meus dedos simplesmente
não me arrastam e me lançam
para o próximo capítulo?
Um lema antigo sacode a minha alma
Respire fundo e tenha calma
Os amanhãs existem por um motivo
Sobreviva e valerá a pena ter vivido.

Publicado por

drpoesia

Escritor de hábitos relativamente saudáveis que gosta de escrever crônicas, poemas, contos e principalmente romances de ficção fantástica. Três livros prontos, porém, ainda sem publicação física. Trimestralmente faço o registro dos meus novos textos no Escritório dos Direitos Autorais. Tenho 27 anos de idade e sou formado em Direito. Creio no amor, embora o sinta meio ingrato neste ano. Só posso ser quem eu sou e é assim que vou continuar. Confio no mestre Leminski. "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além". Se você continuou até aqui espero que conheça meu blog aqui na WordPress e que possa dar uma visitadinha nas minhas páginas de poesias no Instagram e no Facebook! Obrigado! Volte sempre!

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