Eterno Contador das Horas

Eterno contador das horas
Descobri em qual Tempo te encontrar
O céu plúmbeo anuncia o que sente agora
Você apenas deseja se afastar
Até que possa se recuperar de si mesma
Quanta ingenuidade no seu afago
Cicatrizes abertas mostram o estrago
Seu corpo é um eco da destruição
Abertamente anunciam pela cidade
Fugiu na madrugada sua sanidade
O boato lhe traz humilhação
Você…
Você não superou
Encaro seu semblante, sério
Infante, reajo ao vitupério
Você não parece se importar
Os olhos marejados desfazem o mistério
Está viva e perdida em um cemitério
Vítima de um escandaloso adultério
Não sabe ainda como recomeçar
A noite quase se encerrando, sem lua,
Você se recorda enquanto olha para a rua
Tão vazia quanto a sua própria emoção
Diz que não sente nada, mas lágrimas escorrem
Denunciam sua mais secreta emoção
Você adormece, mas nem em sonho se esquece
Acorda em um sorumbático arrepio
Ajeita os cobertores e se aquece, porém,
Tudo ainda soa absurdamente frio
As pequenas conversas que lhe salvavam
subitamente emudeceram
Os carinhos que raríssimas mãos lhe destinaram
agora de ti esqueceram
Os dedos que um dia te amaram
afagam outros cabelos
Teu vexame frívolo é mais gelado que tua presença
Neste mundo onde vive para se disfarçar
Teu castigo é a solidão desta sentença
Nunca mais podendo se revelar
Estrela opaca morta pela saudade do brilho
Trem de carga, sem vagões, fora dos trilhos
Diga-me agora para onde foram os anos perdidos
Sonhe pela madrugada gélida e sem fim
Segure na borda do mundo com as unhas
e durma em paz, vaga-lume quebrado
Ergue-te, mulher arrelienta
A noite acabou
A manhã seguinte começa e termina cinzenta
para quem se perde na desmedida do amor
Sua parte obscura a torna violenta
Externa-se, enfim, toda a sua dor
Repentinamente epifania
Desmistifica-se o que não compreendia
O que machucava antes agora a incentiva
O sofrimento também é um sinal
de que ainda está viva
Então sobreviva, viva e sorria
Quem sabe quantas surpresas
há em um novo dia?

Publicado por

drpoesia

Escritor de hábitos relativamente saudáveis que gosta de escrever crônicas, poemas, contos e principalmente romances de ficção fantástica. Três livros prontos, porém, ainda sem publicação física. Trimestralmente faço o registro dos meus novos textos no Escritório dos Direitos Autorais. Tenho 27 anos de idade e sou formado em Direito. Creio no amor, embora o sinta meio ingrato neste ano. Só posso ser quem eu sou e é assim que vou continuar. Confio no mestre Leminski. "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além". Se você continuou até aqui espero que conheça meu blog aqui na WordPress e que possa dar uma visitadinha nas minhas páginas de poesias no Instagram e no Facebook! Obrigado! Volte sempre!

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