É tarde para se esquecer


Sustente o seu olhar no meu
antes que tudo se perca
Você me trouxe até aqui e
agora é muito tarde para se esquecer
Aventure-se para além da cerca:
Nascemos para morrer
Você bem sabe que inventaram muitas coisas
Estratagemas de entretenimento
Você me trouxe até aqui,
mas se esqueceu do nome do vento
Sussurre em outra língua
e estarei do seu lado
Empunhei uma espada pontuda
Colocando-me em posição de combate
Estava pronto a pintar corpos de vermelho
por você
Seu rosto se expandia enquanto você sorria
“Eu sei me defender”
E gargalhava das minhas tolas apreensões
como o meu medo de escuro
Você e eu celebrávamos trovões,
mas só eu amava o meu barulho
Desde o primeiro minuto você era especial
Eu sabia que um dia iria aprender
Todo mundo sangra igual
Nós nascemos para morrer
Que advém de benigno se o raciocínio
é capaz de antecipar a tragédia?
A vida é um eterno declínio,
uma inevitável guerra?
`Como podemos amar bem
sem a chance do erro?
Como podemos viver sem
cultivar rostos nos espelhos?
Deito-me na sacada e observo
Luzes acesas, sombras, pessoas, pássaros,
Vozes, gemidos, gritos, amor, raiva
Tudo que acontece em uma noite que se esvai
Não choro pelo que não me pertence
E seco quando percebo que nada me pertence
Um sorriso brota de meu rosto envelhecido
Continuo aprendendo sobre insetos e fuligem
Nas estradas tortas, eu caminho reto
sem sentir vertigens
Anuncio-me como o último amante
da primeira e única lua
Um milagre aconteceu no instante
qual você pisou na minha rua
Assim, divido-me, sem me separar
Sou várias partes complementares e sofro
sempre que sinto que me falto
Sei tão pouco ao ponto de me punir
Sei o suficiente para que possa insistir
Meus tímpanos quase estouraram
Exigi mais cafeína
Estranhos subitamente se amaram
E aproveitaram a sutileza da rotina
Sustente o seu olhar no meu
antes que tudo se perca
Os acertos e erros todos se misturam
batidos em um liquidificador silente
Percebemos a ausência do barulho e sentimos falta
da reclamação dos vizinhos
Tudo se acaba
Até o dia que não se acabará
Quiçá os homens do futuro extingam a morte
Eu, que morrerei antes, sou um sujeito de sorte
Você nota as notas desta sutil canção?
Deite no meu pesado peito
Daquele teu velho jeito
tua delicada mão
As preocupações atuais irão desaparecer
Corpos, memórias, histórias, desejos,
Tudo irá padecer
Sorrio com a tua companhia
E contigo não me envergonho de me envergonhar
Aproveite os prazeres antes de tudo acabar
Sustente o seu olhar no meu
antes que tudo se perca
Envelhecemos o bastante, não?
Há o suficiente para se orgulhar do seu coração?
Você me trouxe até aqui e
eu te amarei por isso para sempre
Ainda que eternidades se despedacem
Se eu tiver sorte
Você me amará de volta e
eu serei extremamente feliz por isso
Chegamos juntos até aqui e
agora é tarde para me esquecer
Até as desgraças valem a pena
Encontramo-nos para nos perder.

Publicado por

drpoesia

Escritor de hábitos relativamente saudáveis que gosta de escrever crônicas, poemas, contos e principalmente romances de ficção fantástica. Três livros prontos, porém, ainda sem publicação física. Trimestralmente faço o registro dos meus novos textos no Escritório dos Direitos Autorais. Tenho 27 anos de idade e sou formado em Direito. Creio no amor, embora o sinta meio ingrato neste ano. Só posso ser quem eu sou e é assim que vou continuar. Confio no mestre Leminski. "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além". Se você continuou até aqui espero que conheça meu blog aqui na WordPress e que possa dar uma visitadinha nas minhas páginas de poesias no Instagram e no Facebook! Obrigado! Volte sempre!

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