Cicatrizes de uma vida sofrida.

Longa e escura noite
Solitária segue a mulher
Pronta para o açoite
Seja o que Deus quiser
Dividida entre dois mundos
Não sabe para qual olhar
Reflexos iracundos a
transportam para nenhum lugar
Limbo, passagem e a alma
Desguarnecida
Findo, selvagem, a calma
foi esquecida
Outra vez a noite escura
Lança o cobertor em nós
Nem tudo que é belo perdura
Fecha os olhos para não ver o algoz
Que chega sorrateiro
sabendo exatamente o que quer
Seus desejos são traiçoeiros
Pretende usurpar a mulher
A protagonista se levanta
Luta contra o ímpeto
de que não adianta
Enfrentar alguém
muito mais forte
Ri e depois canta
Ninguém quer o seu bem
Esta é sua mísera sorte
A noite vira madrugada
A mulher reza e se aquece
só com a raiva que sente
Tudo é péssimo agora,
mas um dia será diferente
Existe mundo lá fora
que justifique seguir em frente?
O amor quando veio era falso
A atenção quando veio era oportuna
Arrasta-se pela casa com os pés descalços
Sonha a felicidade, mas sua realidade é a bruma
Eles sempre se afastam, porém, antes a punição
Seu corpo é um saco de pancadas
Sua história de pura humilhação
Ergue a cabeça de algum jeito
Esta mulher de força extrema
Recorda-se de tudo o que lhe foi feito,
mas refuta que sintam pena
Ninguém é perfeito, mas ela
nunca se perde da cena
Quem explica esse efeito?
Coisa trágica de cinema
Do sofrimento muitos nascem
e nele tantos se perdem da lida
A minha heroína sustenta na face
As cicatrizes de uma vida sofrida
Viveu pela liberdade
e seu conto foi escrito em dor
Escreveram em sua lápide
“Representa a luta por onde for”
Hoje cantam pela cidade
seus gritos de luta como história
de amor. 

Publicado por

drpoesia

Escritor de hábitos relativamente saudáveis que gosta de escrever crônicas, poemas, contos e principalmente romances de ficção fantástica. Três livros prontos, porém, ainda sem publicação física. Trimestralmente faço o registro dos meus novos textos no Escritório dos Direitos Autorais. Tenho 27 anos de idade e sou formado em Direito. Creio no amor, embora o sinta meio ingrato neste ano. Só posso ser quem eu sou e é assim que vou continuar. Confio no mestre Leminski. "Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além". Se você continuou até aqui espero que conheça meu blog aqui na WordPress e que possa dar uma visitadinha nas minhas páginas de poesias no Instagram e no Facebook! Obrigado! Volte sempre!

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